sábado, 26 de maio de 2012

Eike blog parado [parte 2]

Ok...continuando com as coisas acumuladas por aqui...afinal meu programa resolveu que não vai mais parar de rodar e rodar e rodar (Berenice, segura!)...então tenho mesmo é que esperar.









E novamente tive companhia por aqui.
Dessa vez foi a Denise, alguem que me aguenta desde o começo da graduação em física. Nossa gente, já fazem 8 anos isso! Credo, que medo desse tempo!
Bem, ela é mais louca do que eu e trabalha no LHC, aqui pertinho. E finalmente resolveu me visitar! O clima estava de sacanagem com ela e resolveu ficar fechado grande parte do tempo, como pode ser visto na primeira foto. Veja Simba, tudo aquilo que a neblina toca é Paris vista do topo da Torre Eiffel. 
Na segunda foto estamos no famosa (bem, ao menos pra mim é famosa) Place de la Sorbonne. A construção ao fundo é uma das entradas do prédio histórico localizado no Quartier Latin que foi o local da fundação da Universidade de Paris, que por sua vez é resultado do Collège de Sorbonne, mais antigo ainda e uma das referências principais de educação na antiga Paris. Hoje o nome Sorbonne ainda está em alguns prédios da Universidade de Paris, que é um conjunto muito mais amplo de instituições e centros de pesquisa.

Pausa histórica (ai, eu sei que é mais legal ver fotos, mas eu também sei quem são os leitores disso aqui e, logo, sei que isso vai interessar):

Fuçando na história dessa instituição, eu achei um fato MUITO lindo.
Em 1960 foi inaugurado um campus da Sorbonne em Nanterre, perto de La Défense. E os estudantes desse campus foram os principais manifestantes nos movimentos associados ao ano de 1968, tanto que o local era conhecido como "Nanterre, la folle" (a doida) ou "Nanterre, la rouge" (a vermelha), e até hoje ela tem um clima mais de esqueda. A coisa chegou a tal ponto que no dia 2 de maio ela foi fechada pelo então governo. 
Revoltados, os alunos da Sorbonne de Paris fizeram uma manifestação no dia seguinte, pois vários alunos em Nanterre estavam sendo ameaçados de expulsão. Em seguida, no dia 6, a união nacional dos estudantes da França, junto com a união dos professores universitários, fez uma manifestação com mais de 20 mil pessoas contra a invasão da Sorbonne pela polícia, manifestação essa que foi dispersada de maneira violenta por essa mesma polícia. 
Finalmente, chegamos à noite do dia 10 de maio,  conhecida como "Noite das Barricadas", quando os estudantes usaram carros e madeiras para criar barricadas por todo o Quartier Latin, e que foi marcada por brigas violentas entre estudantes e policiais. 
Na verdade, o ocorrido em Nanterre foi parte de um movimento maior de repressão por parte do governo frances. Outro exemplo foi o fechamento da Cinémathèque Française, mesmo com muitas manifestações contrárias e grande esforço do Henri Langlois em evitar isso.
E toda essa discussão super me faz lembrar de outra coisa:


Bertolucci, seu foda!!
 
Na manhã seguinte, o estudante Daniel Cohn-Bendit (achei uma entrevista interessante e atual com esse homem, veja aqui) faz um chamado por greve geral no rádio. E com isso ocorre a famosa greve do dia 13 de maio de 1968, na qual mais de um milhão de trabalhadores sai às rua. A Sorbonne é declarada "aberta ao público" e em seguida tenta-se uma transformação para a condição de "universidade do povo", até mesmo com a criação de um comitê de ocupação. 

Maio de 68 - Place de la Sorbonne: Louis Aragon, Daniel Cohn-Bendit, Alain Geismar

Serge Hambourg é responsável por uma série de fotografias desse período, como a foto acima e as duas seguintes.

11 de maio de 1968, rue Saint-Jacques

Maio de 68, Boulevard Saint-Michel
Para quem estiver interessado (tipo eu!), existe um livro inteiro (esse aqui!) com fotos desse período. Eu devo ser meio estranho (ou o resto do mundo é que é), mas maio de 68 tem um significado muito forte para mim. Sem contar que em fevereiro desse mesmo ano meu pai estava nascendo, e em abril a minha mãe, o que faz com que de alguma maneira a minha história pessoa esteja vinculada com esse ano. Os meus pais cresceram em um mundo marcado pelas consequências dos movimentos de 1968 e minha vida está marcada pelas idéias que foram colocadas na cabeça dos meus pais, reflexo do mundo em que viveram. Tá, parei.

Mas vamos voltar para as minhas fotos, mas estou sentindo que esses momentos "Cesar pirando" serão mais frequentes por aqui...


Ainda no clima de universidades, aí está a lenda para os alunos de exatas da USP, a École Polytechnique. Esse lugar já esteve nos sonhos de grande parte dos alunos de primeiro ano dos cursos de física e engenharia. Fica pertinho do Pantheon e da Sorbonne, mas eu nunca teria encontrado se não fosse pela Denise.

Eu acabei fazendo o circuito turista com a Denise, mas é bastente interessante visitar os mesmos lugares várias vezes, porque você tem a chance de conseguir fotos interessantes, como essas do Arc de Triomphe, que dessa vez tinha uma bandeira francesa gigante.




Reparem que na primeira foto tem uma noiva doida sendo fotografada junto ao arco...e um fotógrafo mais doido ainda quase deitado no meio da rua. Juro que eu tava imaginando esse indivíduo sendo atropelado por um dos 84875 mil carros que passam por aquele lugar a cada segundo.

Para terminar, sabe esse lance de que baguete é o símbolo da França? Bem, nem concordo! Quer dizer, de fato aqui você vê gente com baguete debaixo do braço, dentro da mochila...e só assim mesmo, porque aquele treco é muito desconfortável de ser carregado (ok, 580 mil piadas sobre isso, eu sei...). Mas no Brasil nós também temos baguete e também é algo frequente nas refeições. Eu diria que algo tipicamente francês ou, ao menos parisiense, são aquelas máquinas de fotos instantâneas...que você entra na cabine e faz a própria foto. É possível achar uma dessas cabines em cada esquina por aqui...e as pessoas usam mesmo aquilo! Não é como no Brasil, que você até acha uma ou outra, mas tem nojo de entrar e usar porque ela está cheirando urina, sem contar que você não pode fazer nada com a foto depois porque ela não é aceita em lugar algum. Aqui essas máquinas são a melhor maneira de conseguir fotos para documentos e tudo o mais. Sem contar que você se sente em uma cena de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain"...hahahahahaha


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Eike blog parado [parte 1]

Sabe essa coisa de "e astrofísico quando sobra tempo"? Então, desde o último post o lado astrofísico se revoltou e resolveu tomar todo o meu tempo...mas a maior parte dos 10 leitores disso aqui sabem da minha falta de tempo, então sem mais explicações. E como as lindas das minhas estrelas não são assunto por aqui (ainda), deixe-me falar de outras coisas.

Essa é a parte 1 das coisas que ficaram acumuladas.

E vou começar contando da exposição maravilhosa do Tim Burton, que está acontecendo na Cinémathèque Française.



Essa foi mais uma visita na qual a máquina fotográfica não era permitida...o poster da foto está na fachada da Cinémathèque, prédio esse que precisa de um post único, de tão lindo e cheio de história...e que vai ficar para um próximo. 
A exposição conta com rascunhos feitos pelo Tim desde sua juventude (ai que palavra estranha...juventude...me sinto uma tia crente escrevendo isso), passando por uma coleção de muitas das personagens criadas por ele, grande parte nunca usada em trabalho nenhum, uma coleção de objetos usados em todos os grandes filmes (imaginem a pessoa aqui tendo um ataque quando viu o figurino do Edward Scissorhands), e algumas coisas mais B-side. Dentre elas, a exposição apresenta uma série de vídeos feitos pelo Tim Burton quando ele ainda era desconhecido, com a ajuda dos amigos de colégio!! 
Eu achei uma série de desenhos animados com uma personagem desconhecida para mim até então. O Stainboy!! Para quem quiser dar uma olhada, é possível assistir on line aqui todos os 6 episódios exibidos na exposição.
Mas dentre tudo o que eu vi, o mais incrível foi uma releitura de "João e Maria" feita por ele, na forma de curta-metragem. O nome original é "Hansel and Gretel" e, segundo a wikipédia, isso só foi exibido uma vez na TV no dia 31 de outubro (ah vá!?) de 1983. Desde então só voltou a ser exibido nessa exposição, nos vários lugares por onde passou.




E eu finalmente consegui caminhar em Montmartre durante o dia. E concluí que eu viveria fácil nesse bairro!! Que lugar interessante! Posso passar por lá 885748570 vezes e sempre vou descobrir uma coisa nova e mágica. Dessa vez, subindo uma das escadarias, notei um pequeno teatro experimental! O lugar tem umas 20 cadeiras e um palco minúsculo. Logo na entrada você é recebido por uma senhora vestida com roupas dos anos 20. Pena que eu estava com o tempo planejado, mas eu PRECISO voltar naquele lugar.



















As duas fotos são da mesma luminária, que fica bem na frente da basílica du Sacré-Coeur. Eu tenho quase certeza que esse é o ponto mais alto da cidade, que em geral é bastante plana. Essa região também fica bem no norte de Paris, e na segunda foto (durante a noite), o horizonte está mais deslocado para a direita, mais ou menos na direção do sul da cidade, justamente a direção da cidade de Meudon. Legal é saber que da minha janela, em Meudon, eu consigo ver a basílica...ou seja, a vista precisa passar sobre toda a cidade.
Na foto também é possível ver o parque que fica na frente da basílica. O povo se joga bonito nesses bancos para tomar vinho, escutar música e papear.



E ai está a linda da basílica. E parece que a cada dia tem mais gente sentada na escadaria principal comendo alguma coisa! 
Acho incrível esse mármore que fica branquinho forever. Acho que o nome correto é "mármore travertino"...ou é "mármore travestido" (porrãã)? Agora fiquei confuso. Produção??



Daí tá lá você caminhando pelo bairro e então descobre uma praça (o nome é Jardim Jehan Rictus) com um painel cheio de umas coisas escritas. Chegando mais próximo você percebe que o painel inteiro apresenta uma única frase: Eu Te Amo. São 331 repetições, em 250 línguas diferentes, sobre os 511 azulejos do mural (um beijo para o Google!!). Os artistas: Frédéric Baron e Claire Kito. Uma coisa fofa!

Achei um vídeo sobre o lugar:
 (aprendi como colocar vídeos nessa coisa, Braseeeeeel!!!!)

Tem todo um lance brega dessa praça ser um ponto importante do romantismo da cidade...algo fora do circuito tradicional dos casais que vão para Paris em lua de mel para colocar seus cadeados na Pont des Arts.






Todo o meu passeio pelo bairro foi acompanhado pela Amanda (na foto) e pelo Roberto (tirando a foto). Mais do que parte da família, são grandes amigos. Eles vieram de Londres para o Roberto correr a maratona internacional de Paris. Pois é, também acho isso uma coisa de outro mundo...porque né!? 42 km??? 


Para terminar o dia, passeio pela cidade com parada  para um café na frente do Centre Pompidou de arte contemporânea. Fazia tempo que eu estava ensaiando para visitar essa região, e finalmente achei esse tão falado museu. Como queríamos caminhar pelo Le Marais (bairro bapho, que fica para outro post), acabamos não entrando no Pompidou. Mas a região na qual o museu está localizado já é um atrativo por si só. Por sinal, preciso fazer uns posts sobre alguns pontos específicos da cidade. Ai jesus, cadê tempo?!