sábado, 18 de fevereiro de 2012

"the business of books is the business of life"

A frase do título é de autoria do americano George Whitman. 
Falecido recentemente (14/12/2011), filho de pai físico (!), ele foi o responsável por abrir em 1951 a famosa livraria Shakespeare & Company, especializada em literatura de língua inglesa. De fato, inicialmente chamada Le Mistral, o local mudou de nome para homenagear a livraria Shakespeare & Company original, fundada muito antes, em 1919, pela também americana Sylvia Beach, local frequentado por nomes como Hemingway e Joyce, mas que foi fechado em 1941 durante a ocupação alemã em Paris. Atualmente, o local pertence à Sylvia Beach (!!!) Whitman, filha de George. Para mais detalhes, ver http://www.shakespeareandcompany.com/
E vou dizer: que lugar maravilhoso! E nem é pelo fato dela estar localizada bem na frente da catedral de Notre Dame. De fato, o local pode muito bem passar despercebido para aqueles que estão mais preocupados com os grandes pontos turísticos...o que é uma pena, pois esses estão deixando escapar a oportunidade de conhecer um local único, um daqueles pontos mágicos no mundo...pois é exatamente isso que define a loja, uma bolha mágica no mundo.
Desde a calçada é possível ter um gostinho daquilo que espera pelo visitante no interior da loja, pois você é recebido por várias estantes tomadas por livros e, lá mesmo na calçada é possível pegar algum volume e sentar-se para ler nas mesas e bancos da parte externa.
Uma placa na entrada pede gentilmente para que os visitantes não fotografem na parte interna, de maneira a não perturbar os leitores. Assim, mesmo que grande parte dos presentes simplesmente estivessem ignorando o pedido, eu preferi aceitar a proposta, logo não tenho nenhuma foto da beleza que é a parte interna dessa loja, dois andares com paredes totalmente cobertas com livros, do chão ao teto. Com um aspectos daqueles sebos deliciosos de São Paulo, os livros dominam todo o ambiente. Na parte superior encontrei um tímido piano em uma das salas, com um álbum de O Cravo Bem Temperado sobre a tampa, sala essa onde também encontrei duas pequenas camas (parece que alguns turistas sem muito dinheiro podem passar a noite lá) e um tabuleiro de xadrez. Sim, você pode tocar o piano! Normalmente ele é usando em eventos, todos gratuitos, mas os visitantes são mais do que convidados a tocarem alguma coisa, ou a se aconchegarem em algum canto com algum livro e lá ficar.
Na verdade, a livraria convida a cidade a participar do mundo ali proposto, o mundo da literatura, pois na calçada você pode simplesmente pegar um livro dentro de uma caixa e levá-lo gratuitamente. E mais do que isso, os preços dos livros à venda são muito acessíveis. Por sinal, estou prevendo que vou aparecer muitas vezes nesse lugar...até já comecei a minha coleção com algo fundamental: Alice's Adventures in Wonderland. Vai fazer companhia a minha edição em português!


Já escrevi bastante e ainda estou apenas nas primeiras horas daquilo que foi o meu dia. Hoje tive o prazer de caminhar pela bela Paris acompanhado de três amigos. Marcus, mais um doido que resolveu vir estudar astrofísica por aqui. Matheus e Gabi, dois historiadores com os quais compartilho o ideal de lecionar no projeto CP² (http://portalcp2.wordpress.com/). Após um ótimo almoço e um passeio pelos Jardins de la Tuilerie, visitamos o Petit Palais, um museu de artes da cidade. Finalmente, para terminar o dia, uma esticadinha até o Arc de Triomphe, um café (ai que saudade de café!!) e um metrô com acordeonistas tocando uma música fofa. São tantas experiências que não cabem em um único post, de maneira que cada um desses lugares fica para outros momentos.

Obrigado pessoal, pelo ótimo dia. Na foto, de autoria do Marcus (por isso ele não aparece): Matheus, Gabi e eu (esquerda para a direita).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Depois de passar o dia inteiro programando (¬¬), fica difícil conseguir escrever alguma coisa que mereça ser lida, então sem muitas palavras seguem algumas fotos da cidade de Meudon, nas proximidades do Observatoire de Paris.

As ruas da cidade deixam claro que houve um trabalho muito sério de planejamento urbano. Muito longas, as ruas principais definem os espaços, mas ao mesmo tempo as pequenas travessas parecem brincar de desafiar essa regularidade, pois são tortuosas e estreitas.





O único problema de trabalhar em um observatório (e morar perto dele) é que eles ficam sempre na parte alta da cidade...e você precisa chegar até lá quando volta do supermercado cheio de sacolas...mas a paisagem no caminho faz a caminhada valer. A foto ao lado é parte da Avenue du Chateau, que levava ao antigo castelo de Meudon, onde hoje fica a administração (entre outras coisas) do Observatoire.






Olhando ao longo da avenida, na direção da parte baixa da cidade, novamente se percebe o planejamento, a linearidade. Vou tentar fazer essa mesma foto ao longo do ano para ver as mudanças de estação acontecendo...










Ao final da avenida, a entrada do observatório que não mais é utilizada.


As fotos foram feitas alguns dias depois que havia nevado, então a camada de neve já estava fina, mas aparentemente irá nevar novamente, dessa vez por alguns poucos dias, a partir de segunda-feira...tomara...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Eu super acho que as pessoas precisam conversar mais sobre compatibilidade...
Depois de ficar um final de semana inteiro privado do meu computador porque as tomadas por aqui são mega diferentes, consegui acessar a internet. Mas como o velho lápis e o bom caderno nunca falham, o texto seguinte foi escrito no dia 04/02/2012.

Paris por entre as árvores, vista da janela.
Passando através do vidro preso ao esquadro largo e retangular de madeira e dos galhos desnudados de suas folhas pelo frio, o olhar se deposita sobre a cidade luz. À esquerda no horizonte, destacando-se por sua altura, está a dama de ferro, a famosa torre Eiffel; um pouco à direita está a sua companheira, a torre de Montparnasse. Companheiras na altura, compartilharam (compartilham?) também o desgosto por parte dos parisienses, afinal aparecem como assimetrias na regularidade cuidadosamente planejada da cidade, mas ironicamente também são gêmeas na popularidade, uma vez que ambas hoje são símbolos da capital francesa e destinos obrigatórios dos turistas - ao menos daqueles que procuram os imediatismos.
Olhando ainda pela janela do quarto, agora na extrema esquerda, a atenção do olhar é roubada para algo bem mais próximo, a floresta que delimita a área pertencente ao Observatoire de Medon, visão essa que fica ainda melhor quando se desloca para a janela do banheiro! Logo ao atravessar a rua da residência é possível se sentar em algum banco na beira do Piece d'Eau du Bel Air, um pequeno lago no interior do Observatório.

Por sinal, que cidade charmosa é Meudon! Uma espiada rápida pela janela do carro (novamente um olhar por uma janela) revela ruas estreitas pavimentadas com antigas pedras, misturadas a algumas artérias mais robustas e movimentadas, com seus mercados, farmácias e padarias. Muitas casas ornadas inteiramente com pedras encantam aqueles que passeiam pelas ladeiras suaves (ou nem tão suaves assim).

Mas muito ainda é preciso ser visto e dito sobre Meudon e seu antigo Château, um castelo que hoje é uma das três localidades do Observatório da Universidade de Paris, pois apenas uns poucos dias de olhares escapando durante minhas tentativas de resolver problemas da vida prática de um recém chegado não esgotam as possibilidades que esses lugares me reservam, mas ao contrário, aumentam a vontade de as conhecer.

Então, nesse primeiro final de semana, enquanto ainda não consigo sequer usar meu computador por falta de compatibilidade entre as tomadas locais e meu carregador, fico sentado na minha cama, sem saber exatamente como será tudo isso, mas com uma certeza imediata: que a torre Eiffel brilhará de hora em hora na minha janela antes que o sono chegue e estará lá todas as manhãs, difusa pela neblina do inverno.


E no dia seguinte, uma surpresa: a primeira neve do inverno desse ano...e a primeira de todos os meus invernos. Acho que ela estava me esperando, como um presente de boas vindas...mas isso já é puro narcisismo de minha parte.